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Introdução
A Natureza
O Queiti
Quanto custa um Queiti?
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Editora Contramargem

Abílio Caixinha
O Sr. Abílio Caixinha,
foto de Janeiro de 1997
Edições Contramargem

O Sr. Abílio

Há cerca de quatro anos, calcorreei durante seis meses os montes da serra algarvia e do baixo Alentejo, entrevistando homens e mulheres de “virtudes” (curandeiros, endireitas, bruxos, etc.) no âmbito de um trabalho que a minha Editora veio a publicar sobre conhecimentos tradicionais e mezinhas populares.
Numa velha casa, perto de São Marcos da Serra, conheci o Sr. Abílio um curandeiro, então com 78 anos.
Alegre, sempre com um sorriso largo, mostrando os dois dentes que lhe restavam na boca, o Sr. Abílio exercia medicina popular curando as pessoas da serra com uma mistura de rezas e chás de ervas que ele próprio colhia, nas alturas certas, pelos montes da região.
Os seus dois mais poderosos feitiços (que só utilizava em casos de desespero), eram a raiz de mandrágora e o Queiti.
As mandrágoras que apanhava nos montes a caminho de Monchique, secava-as e produzia um pó acastanhado que dava a beber em infusão aos endemoninhados e às mulheres histéricas.
O Queiti, por sua vez, era uma pequena vareta de metal oco cheia de uma mistura escura que ele “construía” expressamente para cada doente. Espetava a vareta na terra e todos os dias os seus doentes ficavam sentados no chão debaixo de uma enorme alfarrobeira, segurando o Queiti durante cerca de dez minutos. O “tratamento” prolongava-se por vários dias e eu decidi também experimentar.
Segundo o Sr. Abílio, acabavam-se-me as enxaquecas que tanto me apoquentavam e curar-me-ia de vez das terríveis dores nas costas que quase impediam de me movimentar sempre que me levantava de manhã. Dez sessões, era tudo o que eu precisaria.
Esperei pacientemente alguns dias que construísse o meu Queiti e um Domingo de manhã comecei o meu “tratamento”. Durante cerca de duas semanas lá fui, diariamente, segurar na vareta durante dez minutos. Ao princípio, céptico, fui intercalando na conversa que íamos mantendo algumas piadas apropriadas à situação. O velhote ria e repetia sempre o mesmo “ você logo vê o resultado…”
Efectivamente, ao fim de uma semana as dores tinham desaparecido. Sentia-me muito menos tenso e com mais energia. A vareta funcionava. Hoje, uso o meu Queiti quase que diariamente, já não conseguiria viver sem ele. Ainda é o mesmo que o Sr. Abílio construiu para mim e eu fui a primeira pessoa a quem ele autorizou a posse permanente da vareta, (ele guardava sempre em sua casa as varetas de cada doente, obrigando a que seguissem o tratamento na sua presença).

O que é um Queiti?

Intrigou-me o nome estranho que o Sr. Abílio dava às suas varetas de metal. Soava-me a qualquer coisa vinda de outras paragens, muito embora o velhote me garantisse que a terra mais longínqua que visitara fora “há mais de não sei já quantos anos” a cidade de Portimão onde fora um dia às sortes…
O Queiti – segredou-me um dia – “trouxe-o das Américas o meu tio-padrinho Amílcar que por lá andou em busca de fortuna. Foi ele quem tudo me ensinou sobre a natureza e quem construiu o primeiro Queiti para me curar duma prisão nos tendões das pernas”.
Dizia ele que "tinha herdado o segredo e que era tudo quanto tinha para me deixar,  como seu único parente”.
Era tudo. Sabia construí-los, dar-lhes energia e orientá-los. Sabia os seus efeitos. Só não sabia porque funcionavam tão bem.
Racionalmente analisado, o Queiti nada tem de mágico ou de sobrenatural. Trata-se de uma simples vareta metálica oca com alguns componentes no seu interior. Os componentes agem como uma vulgar pilha acumulando energia. A função da vareta exterior é em tudo semelhante à desempenhada pelas varas de cobre que todos os electricistas são obrigados a colocar na terra junto às residências, para descarregar o excesso de tensão das instalações eléctricas.
Podemos considerar que o conjunto serve para potenciar o contacto entre um ser humano e as energias telúricas, funcionando como uma simples antena amplificadora
“Deus formou o homem com o pó da terra, insuflou nas suas narinas o alento da vida, e o homem tornou-se alma viva”. É pois evidente que o homem é composto dos elementos primários da terra, tão essenciais à sua existência quanto o “sopro da vida”. A suposição entre os pensadores antigos era que se o homem comesse e bebesse adequadamente teria um corpo físico capaz de satisfazer todas as exigências das leis físicas e divinas. Argumentavam, como nós hoje em dia argumentamos, que a doença e a saúde precária começam no corpo físico logo que o indivíduo negligencia a dieta conveniente ou, deliberadamente, introduz no organismo elementos venenosos ou desarmoniosos. A mais importante e frequente causa de saúde precária e doença, é o esquecimento das forças essenciais, ou “forças vitais” no corpo, forças que representam a outra parte do homem, a parte intangível, que é tão pouco compreendida.
Qual é, porém, essa energia secreta que de tal modo vitaliza o corpo? É a energia vibratória da Terra, uma espécie de corrente eléctrica, que corresponde à “força vital”, ou “sopro de vida” que pode ser aumentada e fortalecida para efeitos de cura. A forma principal de tratamento nesse caso é a elevação da frequência vibratória de todo o corpo, instilando-lhe uma intensidade adicional da energia vibratória, para que todas as células se tornem unidades funcionais, de maneira normal e harmoniosa, no controlo da criação e não na criação da destruição.

É essa a função do Queiti do Sr. Abílio.

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